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Economia e Consumo

Alimentos ficaram mais baratos em junho: veja o que caiu e o que ainda pesa no orçamento

Café, frutas, carnes, óleo de soja e tomate tiveram queda de preço em junho, mas energia elétrica e passagens aéreas continuaram pressionando o orçamento.

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Redação - Portal Tudo Na Cidade

Publicado em • Atualizado em

Os preços de alguns alimentos deram um alívio ao consumidor em junho de 2026. O grupo de alimentação e bebidas caiu 0,24%, enquanto a alimentação dentro de casa ficou, em média, 0,39% mais barata. Foi a primeira queda desse grupo desde novembro de 2025.

O resultado ajudou a inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, a desacelerar para 0,16% no mês. Em maio, o índice havia subido 0,58%.

A notícia é positiva para quem sentiu o supermercado pesar mais nos últimos meses, mas precisa ser lida com cuidado. A queda não atingiu todos os produtos, e outros gastos importantes, especialmente energia elétrica e passagens aéreas, continuaram subindo.

Quais alimentos ficaram mais baratos

Segundo os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o recuo dos alimentos foi puxado principalmente por produtos que haviam acumulado altas ou que tiveram aumento de oferta.

Entre as quedas registradas em junho estão:

  • café moído: queda de 3,72%;
  • frutas: queda de 1,58%;
  • carnes: queda de 0,64%;
  • óleo de soja: queda de 2,78%;
  • tomate: queda de 2,02%;
  • açaí em emulsão: queda de 14,41%.

Esses percentuais representam uma média nacional. O preço encontrado no supermercado pode variar bastante de uma cidade para outra, de acordo com a produção local, o frete, a rede varejista e até a semana em que a compra é feita.

Mesmo assim, os dados indicam uma mudança de direção em alguns itens que vinham pressionando o orçamento doméstico.

Nem tudo caiu no supermercado

A redução média do grupo não significa que a compra inteira ficou mais barata. Enquanto café, carnes e frutas recuaram, alguns alimentos continuaram subindo.

O feijão-carioca, por exemplo, teve alta de 8,31% em junho. A batata-inglesa subiu 3,57%. Dependendo dos hábitos de consumo da família, essas altas podem anular parte da economia obtida em outros produtos.

Por isso, a percepção de cada consumidor pode ser diferente do índice oficial. Uma família que compra mais carne e café pode sentir algum alívio. Outra que consome muito feijão, batata ou produtos que continuaram subindo talvez quase não perceba a queda média.

O que significa uma inflação de 0,16%

O IPCA de 0,16% mostra que, considerando centenas de produtos e serviços, os preços ainda aumentaram em junho. O ritmo, porém, foi menor que nos meses anteriores.

A inflação perdeu força pelo quarto mês seguido e registrou o menor resultado mensal desde outubro de 2025. No acumulado de 12 meses, o índice ficou em 4,64%.

Isso quer dizer que o custo de vida médio continua maior que há um ano. A desaceleração indica apenas que os preços estão subindo mais devagar, e não que voltaram ao nível anterior.

Também é importante separar inflação menor de queda generalizada de preços. Em junho, alguns grupos caíram, outros subiram e o resultado final foi uma alta média de 0,16%.

A conta de luz continuou pressionando o orçamento

O grupo habitação teve alta de 0,63% e foi a principal pressão sobre o IPCA no mês. Dentro dele, a energia elétrica residencial subiu 1,53%.

A bandeira tarifária amarela continuou em vigor, acrescentando R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora consumidos. Reajustes em cidades como Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Rio de Janeiro também entraram no cálculo nacional.

Na prática, parte do alívio obtido no supermercado pode ter sido absorvida pela conta de luz. Isso ajuda a explicar por que muitas famílias não sentem melhora imediata, mesmo quando os alimentos apresentam queda na média.

Combustíveis recuaram, mas passagens aéreas subiram

Os combustíveis ficaram, em média, 0,48% mais baratos em junho. O etanol caiu 3,09%, o diesel recuou 1,19% e a gasolina teve uma redução menor, de 0,12%.

Em sentido contrário, as passagens aéreas subiram 7,12%. O movimento fez o grupo transportes fechar o mês com alta de 0,17%, apesar da queda dos combustíveis.

Para quem usa carro diariamente, a redução pode trazer algum alívio, principalmente em regiões onde o etanol acompanha mais rapidamente as oscilações de preço. Para quem planejava viajar de avião, o mês ficou mais caro.

Como aproveitar as quedas sem depender apenas da média nacional

Os índices ajudam a entender o cenário, mas a economia doméstica acontece no preço cobrado em cada loja. Algumas atitudes simples podem transformar uma queda estatística em economia real:

  • compare o preço por quilo ou litro, e não apenas o valor da embalagem;
  • acompanhe os produtos que mais consome, porque eles têm impacto maior no seu orçamento;
  • evite comprar grandes quantidades apenas por causa de uma promoção, principalmente itens perecíveis;
  • observe se a redução anunciada realmente chegou ao comércio da sua região;
  • substitua temporariamente produtos que tiveram alta por opções equivalentes mais baratas;
  • confira o valor final da compra e guarde o comprovante para comparar com os meses seguintes.

Também vale ter cuidado com promoções que mostram um preço de destaque, mas exigem cadastro, compra mínima ou uso de aplicativo. A condição precisa estar informada de forma clara antes da compra.

O consumidor pode exigir que o supermercado acompanhe a queda do IPCA?

Não. O IPCA mede a variação média dos preços pesquisados, mas não determina quanto cada estabelecimento deve cobrar.

Os supermercados têm liberdade para definir preços, desde que respeitem as regras de informação, publicidade e concorrência. O consumidor não pode exigir um desconto apenas porque determinado item caiu na média do IBGE.

Por outro lado, a loja deve cumprir o preço anunciado. Se houver diferença entre a etiqueta da prateleira e o valor registrado no caixa, o consumidor tem direito a pagar o menor preço informado.

Também são irregulares práticas como esconder condições da promoção, divulgar desconto inexistente ou aumentar artificialmente o preço antes de anunciar uma redução.

A queda deve continuar nos próximos meses?

Ainda é cedo para afirmar. O preço dos alimentos depende de fatores que podem mudar rapidamente, como clima, safra, oferta, transporte, câmbio e custos de produção.

O próprio recuo de alguns itens em junho foi associado à maior oferta e à devolução de altas recentes. Isso não garante que o movimento continue no mesmo ritmo.

A inflação acumulada em 12 meses permanece acima do centro da meta, e mais da metade dos produtos e serviços pesquisados pelo IBGE ainda apresentou aumento de preço em junho. Portanto, o cenário mostra desaceleração, mas não uma queda ampla e permanente do custo de vida.

O que muda de verdade no orçamento

A melhor notícia de junho foi a primeira queda da alimentação no domicílio em vários meses. Café, carnes, frutas, óleo e tomate estão entre os itens que ajudaram a puxar essa redução.

Ao mesmo tempo, a energia elétrica e as passagens aéreas continuaram pressionando os gastos. Para a maioria das famílias, o efeito final depende de quanto cada despesa representa dentro do orçamento.

A redução dos alimentos pode aparecer aos poucos, principalmente para quem compara preços e ajusta a lista de compras. Ainda assim, ela não compensa automaticamente as altas acumuladas nos meses anteriores nem significa que todos os produtos ficaram mais baratos.

Fontes consultadas